Blog · Orientação profissional · 11/10/2026
Como uso a psicologia transpessoal nos processos de orientação profissional
Por Caroline Reis Pereira, psicóloga clínica e consultora de carreiraResposta curta: combino a orientação profissional clínica, que se apoia na escuta e na conversa, com técnicas da Abordagem Integrativa Transpessoal (AIT), como imaginação ativa e mandalas. Assim, a pessoa não só pesquisa profissões, mas acessa o que sente e o que valoriza de verdade, e a escolha passa a ser dela.
Dois campos que se encontram
Existem várias formas de fazer orientação profissional: a estatística, a do desenvolvimento vocacional, a sócio-histórica, a comportamental, a clínica. Escolhi trabalhar com a orientação profissional clínica, que parte da ideia de que a pessoa consegue decidir à medida que compreende a situação que vive e elabora a ansiedade e os conflitos ligados à escolha.
A orientação clínica tem raízes na psicanálise. A AIT, na psicologia transpessoal, que integra várias outras escolas. Na minha experiência, juntar as duas traz ganhos importantes: a profundidade da escuta clínica e ferramentas que ajudam conteúdos do inconsciente a chegarem à consciência.
Identidade vocacional e ocupacional
Bohoslavsky diferencia duas identidades. A ocupacional responde ao quê, como e onde vou atuar. A vocacional, muitas vezes inconsciente, responde ao porquê e para quê escolho algo. Poucas pessoas têm essa segunda resposta clara.
É aqui que a transpessoal ajuda: técnicas que acessam outros estados de consciência permitem que o porquê apareça, às vezes de um jeito que nenhuma lista de profissões revelaria.
As ferramentas que uso
Da Abordagem Integrativa Transpessoal, trago principalmente:
- Imaginação ativa: imagens e cenários mentais que ajudam conteúdos inconscientes a virem à tona.
- Mandalas: dar forma e cor ao que se sente, sem certo ou errado.
- Grafismo: representar no papel uma experiência ou um tema, e depois conversar sobre ele.
- Atividades integrativas: exercícios que integram razão, emoção, intuição e sensação.
Essas técnicas convivem com outros instrumentos baseados nos clássicos da orientação profissional, que ajudam a organizar interesses, habilidades, valores e critérios de escolha.
A postura de quem acompanha
Em comum entre os processos, uma postura: o orientando é responsável pelo seu caminho, e eu acompanho, facilito e dou ritmo. Isso significa escutar sem julgamento, estimular a intuição, não entregar interpretações prontas e ajudar a pessoa a chegar às próprias conclusões.
Também significa respeitar o tempo. Às vezes, numa sessão, o tema da escolha precisa esperar porque outra coisa pede atenção, e cuidar disso faz parte do processo.
Do adolescente à aposentadoria
Usei essa combinação na primeira escolha de adolescentes e também com adultos em transição de carreira e em preparação para a aposentadoria. Em todos os casos, o efeito é parecido: a decisão deixa de ser uma aposta e passa a ser uma expressão de quem a pessoa é.
Leia mais em Escolha pela essência e em Construindo o futuro.
Referências
- BOHOSLAVSKY, Rodolfo. Orientação vocacional: a estratégia clínica. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
- NEIVA, Kathia M. C. Processos de escolha e orientação profissional. São Paulo: Vetor, 2013.
- FORTIM, Ivelise; SPACCAQUERCHE, Maria Elci. Orientação profissional: passo a passo. São Paulo: Paulus, 2018.
- SALDANHA, Vera. Psicologia transpessoal: abordagem integrativa. Ijuí: Unijuí, 2017.
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