Blog · Psicoterapia · 11/10/2026
O que é a Abordagem Integrativa Transpessoal (AIT)
Por Caroline Reis Pereira, psicóloga clínica e consultora de carreiraResposta curta: a Abordagem Integrativa Transpessoal (AIT) é uma forma de trabalhar a Psicologia Transpessoal desenvolvida pela psicóloga Vera Saldanha, doutora em Educação pela Unicamp. Ela integra contribuições de várias escolas da psicologia e propõe técnicas que unem razão, emoção, intuição e sensação para que a pessoa amplie a consciência sobre si e sobre o que vive.
A quarta força da psicologia
A Psicologia Transpessoal é chamada de quarta força da psicologia, depois da psicanálise, do comportamentalismo e do humanismo. Ela reconhece a dimensão do saudável e da transcendência como parte natural da psique humana e estuda os estados ampliados de consciência como caminho de desenvolvimento.
A AIT, objeto da tese de doutorado de Vera Saldanha, organiza e sistematiza esses conceitos e propõe ferramentas que apoiam processos terapêuticos, educacionais e organizacionais. É uma abordagem transdisciplinar: integra psicanálise, psicologia analítica (junguiana), psicodrama, humanismo, psicologia positiva e transpessoal, e está aberta a novas contribuições.
Os conceitos que sustentam a abordagem
O corpo teórico da AIT se apoia em alguns pressupostos:
- Unidade: somos parte de um todo conectado. A sensação de separação existe na dimensão mais concreta, mas não é a única forma de perceber a realidade.
- Estados de consciência: a forma como percebemos a realidade depende do estado em que estamos: vigília, devaneio, sonho, sono profundo, despertar.
- Cartografia da consciência: um mapa dos diferentes níveis de consciência e dos conteúdos que cada um revela.
- Ego: a AIT valoriza um ego saudável, bem estruturado e forte, que em certos momentos pode se expandir, permitindo uma percepção mais ampla da vida.
- Vida: uma dimensão atemporal; tudo é vida e energia.
O eixo que mais aparece na prática: REIS
No dia a dia das sessões, o que mais se vê é o chamado eixo experiencial, que integra quatro funções, inspiradas nas tipologias de Jung:
- Razão: compreender e organizar a experiência pela reflexão.
- Emoção: os afetos, que nos tomam sem pedir licença.
- Intuição: a percepção do que é, ligada à imaginação e à criatividade.
- Sensação: o que percebemos pelos sentidos, por dentro e por fora.
Quando essas quatro funções trabalham juntas, a pessoa não só entende algo, mas sente, percebe e integra aquilo à própria vida.
As sete etapas do processo
Na AIT, o aprofundamento de qualquer tema passa por sete etapas: reconhecimento, identificação, desidentificação, transmutação, transformação, elaboração e integração. Elas podem acontecer ao longo de um processo inteiro ou dentro de uma única sessão. Explico com mais detalhes, usando a metáfora da borboleta, no artigo sobre preparação para a aposentadoria.
Como é uma sessão
Em geral, a sessão começa pela conversa. A partir do tema que surge, posso propor uma técnica, como:
- imaginação ativa, usando imagens mentais para acessar conteúdos que no estado de vigília ficam escondidos;
- mandalas, arte e grafismo, para expressar o que ainda não tem palavras;
- meditação, música e movimento, que acalmam a mente e ampliam a receptividade;
- trabalho com sonhos e dinâmicas interativas.
No fim, voltamos à conversa para integrar o que apareceu ao momento de vida atual. O terapeuta não interpreta pelo cliente: ajuda a pessoa a chegar às próprias compreensões, sempre no ritmo dela.
Onde uso a AIT
A AIT é a base de todo o meu trabalho: na psicoterapia, na Jornada das Escolhas e na consultoria de carreira. Fiz a minha pós-graduação em Psicologia Transpessoal na Alubrat, associação que há décadas forma profissionais nessa abordagem. Conto como ela entra na orientação profissional em outro artigo.
Referências
- SALDANHA, Vera. Psicologia transpessoal: abordagem integrativa: um conhecimento emergente em psicologia da consciência. Ijuí: Unijuí, 2017.
- ALUBRAT. A AIT. Disponível em: alubrat.org.br/quem-somos/a-ait.
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